Novas regras fazem carros para deficientes dispararem nas vendas

Desde 2013, desconto de até 30% foi estendido a pessoas com problemas de locomoção.

Enquanto o mercado total de carros novos segue cambaleante, após ter encolhido quase à metade nos últimos quatro anos, a venda de veículos para pessoas com deficiência teve um grande aumento. Foi de 42 mil unidades em 2012 para 139 mil no ano passado e hoje respondem a 8,3% dos negócios no País.

Pessoas com deficiências ou patologias que dificultam ou impedem a mobilidade podem adquirir veículos com isenção de várias taxas como o IPI, ICMS, IPVA e IOF, o que resulta em abatimento de 20% a 30% no preço do veículo.

A lei de isenção vigora há mais de 20 anos, mas foi em 2013 que ela teve realmente um efeito potente nas vendas: foi estendida a familiares de deficientes que não podem dirigir. Também foram incluídas patologias que reduzem a mobilidade, como tendinite crônica.

No ano passado, as vendas para esse público cresceram 31,5% em relação a 2015. O mercado total de automóveis caiu 21% no mesmo período.

Para disputar esse mercado, montadoras passaram a adequar modelos para atender à lei, que prevê isenção total só para veículos de até R$ 70 mil fabricados no Mercosul. Acima disso, perde-se o desconto do ICMS.

Mais de 90% das vendas são de veículos apenas com câmbio automático, sem necessidade de adaptações. “Fiz uma cirurgia na coluna e passei a sentir dores fortes ao dirigir carros com câmbio manual”, diz o contador Cícero da Silva Menezes, de 55 anos.

Foram quase seis meses para resolver questões burocráticas, como tirar nova CNH e passar por vários órgãos. Segundo ele, o carro custava R$ 77 mil, mas, retirando alguns acessórios, caía para R$ 70 mil. Sem os impostos, saiu por R$ 50,1 mil.

Em 2016, a Ford vendeu 4.820 veículos para pessoas com deficiências, ou 2,6% de suas vendas totais. Para a Toyota, o segmento fica com 6% das suas vendas. No primeiro bimestre, os negócios da Fiat Chrysler no segmento cresceram 130% em relação a mesma época de 2015.

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